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Meninos e Meninas: Episódio 06


CENA 5: INTERNA. MANSÃO OLIVEIRA. NOITE


Daniela está sentada a mesa. Podemos ver uma mesa montada para cinco pessoas. Jade desce as escadas, com um vestido preto básico e um pouco justo e uma maquiagem um simples. A boca um pouco rosada e um delineado branco. Ela se senta. 


JADE - Posso saber porque a senhora mandou eu me arrumar? A gente nao vai só jantar, não? 

DANIELA - Também. Mas com alguns convidados. 

JADE - Convidados? Que tipo de convidados? 


A campainha toca. 


DANIELA - Você já vai descobrir. 


Daniela se levanta e se retira do local, provavelmente para recepcionar os convidados. Jade olha para o braço que ainda tem algumas cicatrizes de auto-mutilação e tenta esconder. 


Logo, Daniela chega junto de Alan e seus pais. O famoso empresário ex-deputado Vicente (participação especial de Lázaro Ramos) e sua esposa Martina (participação especial de Giovanna Antonelli). Jade estranha, e abre um sorriso amarelo. 


JADE - (sem graça) Alan... Que bom te ver por aqui. 

ALAN - Também fiquei muito feliz pelo convite da sua mãe. 

DANIELA - O convite também partiu da Jade, não é verdade filha? 

JADE - Claro, claro. 

ALAN - Bom saber... 


A família de Alan se senta e uma conversa - torturante para Jade, por sinal - se inicia. 


DANIELA - Mas e então, Alan? Você já decidiu qual carreira pretende seguir? 

ALAN - Eu pretendo seguir na carreira política, provavelmente. Mas para isso eu preciso estudar bastante. 

DANIELA - Você pode ter um futuro brilhante nessa carreira. A Jade pretende fazer ciências contábeis, assim como o pai. Não é filha? 

JADE - Sim, claro. 

VICENTE - Pelo que o Alan me diz, ela tem total capacidade para isso. É a melhor da classe. 

JADE - Não sei disso, não... 

ALAN - É a melhor sim. Tem uma bolsista que tenta competir com ela, mas não tem nem capacidade cognitiva para isso. 


Jade revira os olhos discreta para o comentário de Alan sobre Sarah. 


MARTINA - Não sei porque o Anglo ainda investe nisso de bolsistas. Escola não é instituição de caridade. 

JADE - Mas bolsa não é caridade. A escola oferece bolsa para alunos que tem boas notas. Alunos que tem boas notas consequentemente vão passar em bons vestibulares. E consequentemente trazer fama para a escola. É uma troca. 

MARTINA - Pode até ser. Mas se esse for o caso deveriam oferecer apenas para alunos do segundo e terceiro ano. Na sala do meu caçula, que ainda está no fundamental, tem um bolsista. Eu não acho que seja interessante para a formação das crianças esse tipo de choque de realidade. Se você não tem condições de arcar com uma escola particular, é o jeito estudar em uma pública. 


Jade segura uma risada sarcástica. Ela encara Vicente. 


JADE - Mas infelizmente no nosso país, graças à alguns políticos corruptos, a educação pública é muito prejudicada. 


Daniela lança um olhar de repreensão para a filha. Uma empregada chega trazendo os pratos do jantar. 


DANIELA - Chegou a comida. Vamos jantar, meus queridos. 

VICENTE - Vamos. Saco vazio, não para em pé. 


Eles começam a se servir. Jade parece muito desgostosa com a situação. 

CENA 6: INTERNA. AP DE RAFAEL. NOITE 


A câmera passeia pelo apartamento de Rafael. O local não tem muito luxo e é bem compacto. Ele conversa com Kiara na sala. Ela fala muito empolgada, mas ele parece não prestar muita atenção. 


KIARA - Por isso eu não consigo me concentrar muito bem nas aulas de química. O professor é muito rápido. 

RAFAEL - Realmente. 


Rafael vai se aproximando aos poucos de Kiara. Ele passa as mãos pelo pescoço da menina. 


RAFAEL - Acho que agora a gente podia fazer algumas coisas mais interessantes, né? 


Eles começam a se beijar. Mas os ritmos parecem não se encontrar. Kiara beija mais lento, enquanto Rafael está mais quente. 


RAFAEL - Vamos para o meu quarto. 


Rafael diz puxando a mão de Kiara, que está envergonhada. 


CENA 7: INTERNA. MANSÃO VENTURA. NOITE 


21:40H. https://youtu.be/9R0CEP-ntXw


A música toca alta pelo local. Manu está usando um cropped preto, uma calça jogger e um coturno. Em seu rosto e suas mãos, uma maquiagem que remete a uma caveira. 


Sarah está fantasiada da personagem Eleven, com o figurino clássico da personagem. Um vestido rosa, um pouco mais curto que o habitual, uma jaqueta jeans, tênis brancos e meias altas. Victor e Ítalo estão dançando junto delas. 


SARAH - Eu acho que só os quadros dessa casa aqui, valem mais que a minha toda. 

VICTOR - Estava pensando nisso agora. 

SARAH - Sabe o que eu estava pensando? A gente podia tirar a roupa e roubar umas paradas dessa casa. Ninguém ia poder ver as câmeras de segurança, porque ia ser pornografia infantil. 


Sarah e Victor sorriem desenfreados, provavelmente pelo efeito da bebida. 


MANU - O que deu nesses dois? 

ÍTALO - Alegria de bêbado. Faz parte. Eu vou pegar mais bebida. Tem certeza que você não quer? 

MANU - Eu não posso. Se eu encostar perto de bebida e minhas tias descobrirem, eu não saio de casa nunca mais. 

ÍTALO - Tem razão, melhor você não se arriscar. 


Ítalo sai para pegar mais bebidas. Manu se senta em um puff. Sarah que dançava uma coreografia patética com Victor, se senta ao lado dela. 


SARAH - Sabia que você é minha melhor amiga, Manu? 

MANU - Você também é minha melhor amiga. 

SARAH - É sério. Quando você entrou naquela sala e disse que ia me ajudar a não perder a bolsa... Cara, ninguém nunca tinha feito isso por mim.


Sarah volta a gargalhar. 


MANU - O que foi agora? 

SARAH - Eu estava pensando aqui... Tecnicamente a gente se beijou por tabela. Você beijou a Jade e eu também. 

MANU - Nem me lembra disso. 


Sarah encosta a cabeça na cadeira. 


MANU - Você gosta da Jade, não é? 

SARAH - Gosto. Mas ela não gosta de mim. Ela prefere a vidinha medíocre dela. 

MANU - Eu acho que ela também gosta de você. Gosta de verdade. Vocês deveriam dar uma chance. 

SARAH - A Jade é anoréxica. 

MANU - Do que você está falando? 

SARAH - É sério. Ela está vomitando tudo o que come... Nem era pra eu estar te falando isso. Mas eu só queria ajudar ela, e eu não consigo nesse caralho. 

MANU - Escuta, eu sei que você está meio bêbada, mas isso é sério. A Jade é mesmo anoréxica? 

SARAH - Ela é. Ela já teve vários problemas com isso. Pode perguntar para o Victor. 

MANU - Ela é anoréxica ou bulímica? São coisas diferentes, você sabe, né? 

SARAH - Eu acho que um pouco dos dois. Ela quase nunca come nada. Mas quando come, está vomitando pelo visto. 


Manu se preocupa com a situação. Sarah fica paralisada por alguns instantes, mas logo volta a gargalhar sem motivo aparente. 


A cena corta para a mesa de bebidas. Ítalo está parando esperando os três drinks que pediu ao barman da festa. Flávio (participação especial de João Guilherme) chega ao seu lado e se escora no balcão. 


FLÁVIO - Moço, me vê uma caipirinha, por favor. 

ÍTALO - Ou, isso aqui é uma fila. Eu cheguei primeiro. Vai para trás por favor. 

FLÁVIO - Relaxa aí, cara. Eu só quero uma caipirinha, tá legal? 

ÍTALO - Não me importa o que você quer. Eu cheguei primeiro e vou pegar os meus drinks primeiro. Para trás. 

FLÁVIO - Chato para caralho. 


Flávio vai para trás de Ítalo na fila, bufando. 


FLÁVIO - Qual seu nome, meritocrata de drinks? 

ÍTALO - Meritocrata de drinks.

FLÁVIO - Belo nome. O meu é só Flávio. 

ÍTALO - Meu nome é Ítalo. 

FLÁVIO - Você não tem cara de Ítalo. 

ÍTALO - Bom, mas o meu nome é esse. 

FLÁVIO - Vou te chamar de Merí. 


Em uma bandeja o barman entrega os três drinks que Ítalo havia pedido. 


ÍTALO - Na verdade eu acho que você não vai me chamar de nada. 

FLÁVIO - A gente ainda se esbarra por aí, Merí. 


Ítalo sai em direção aos amigos. Flávio o observa. 


CENA 8: INTERNA. MANSÃO FERNANDES. NOITE 


A cena inicia com Humberto sobre Sônia. Os dois estão tendo uma relação sexual. Logo, ambos chegam ao seu ápice. Humberto se deita ao lado de Sônia, um pouco suado. 


SÔNIA - Não dá mais para ficar sendo a sua putinha. Eu quero algo sério. O que a gente tem é especial, você não acha? 

HUMBERTO - Eu tenho uma esposa, querida. Para quê estragar o que a gente tem? 


Humberto se levanta da cama e coloca uma cueca. Sônia se enrola entre os lençóis. 


SÔNIA - Se você acha que eu vou ficar sendo sua amante para o resto da vida, você está bem enganado. 

HUMBERTO - Desde o começo, eu sempre deixei bem claro a nossa condição. Eu tenho uma esposa, um filho, uma imagem a zelar. 

SÔNIA - E eu? E a minha imagem? Porque é muito normal para as pessoas um cara como você, ter uma amante. Mas eu... Eu sou a vagabunda, a interesseira. 

HUMBERTO - E você se importa mais com o que as pessoas falam do quê comigo? 

SÔNIA - Óbvio que não, se não eu não estaria aqui. Já você... Só se preocupa com essa sua reputação que só existe na sua cabeça. 

HUMBERTO - Eu batalhei muito para chegar onde eu cheguei, Sônia. Você não sabe o que é morar em periferia. O que é ver o pai chegar bêbado em casa, batendo na mãe. Você não sabe. 

SÔNIA - Então quer dizer que para ficar rico, vale tudo? Ou você pensa que eu não sei como você conseguiu esse império todo? 

HUMBERTO - Troca de favores. 

SÔNIA - Troca de favores? Você se vendeu. Foi para a cadeia acobertando um velho rico na época. Que em troca te deixou milionário e ainda deu a mão da filha dele em troca. 

HUMBERTO - Não fale do que você não sabe. Você nasceu em berço de ouro. Seu papai é dono do maior complexo acadêmico da América Latina. Você tem a Anglo nas mãos. 

SÔNIA - Eu poderia ser uma mendiga. Eu jamais faria o que você fez. Eu tenho princípios. 

HUMBERTO - Tem tantos princípios que está aqui me pedindo para largar a minha família por sua causa. 

SÔNIA - Que família? A sua mulher está em Paris há anos. O seu filho tentou se matar por sua culpa. Que porra de família é essa? 


Humberto desfere um tapa sobre o rosto de Sônia. Ele sobe por cima dela e coloca as mãos sobre a boca dela. 


HUMBERTO - Não queira ir por esse caminho, Sônia. Eu gosto de você. Mas tudo tem um limite. O amor e o ódio andam pelo mesmo caminho. Não queira que eu te odeie, não faça isso. Se não, você vai se dar muito mal. 

SÔNIA - Sai de cima de mim. 

HUMBERTO - Se você não se meter comigo, continua tudo como está. Vamos dar uma chance para a nossa história. Não estraga isso. 


Sônia parece assustada. Seus olhos ficam marejados. Humberto começa a beijar seu pescoço. 


CENA 9: INTERNA. AP DE RAFAEL. NOITE 


Kiara e Rafael se beijam em cima da cama. Kiara está por cima de Rafael, que por sua vez está com as mãos nas nádegas da menina. Os dois estão só com as peças íntimas.


Rafael deita Kiara sobre a cama e vai beijando sua barriga até chegar na região íntima dela. Ele afasta a calcinha da garota e começa a passar a língua pela região, de forma muito acelerada. Ao invés de prazer, Kiara sente desconforto. 


KIARA - Um pouco mais devagar, por favor. 


Rafael não dá ouvidos a menina e continua focado em sua vagina. Após alguns minutos dedicado ao sexo oral, Rafael sobe sem a menor preocupação com o prazer de Kiara. 


Ele retira a cueca e vira Kiara de costas. Sem cerimônia, ele passeia o próprio pênis pelas nádegas de Kiara, criando atrito entre as peles. Ela parece desconfortável e nervosa. 


KIARA - Rafa, eu acho que a gente pode testar outras coisas. Eu não sei se... 

RAFAEL - Cala a boca. 


Ele desfere um tapa sobre a bunda da menina e em seguida passa as mãos pelo pescoço dela. 


RAFAEL - Você é submissa a mim. Eu mando em você, na cama e em tudo. 


Rafael retira um chicote de couro de dentro de uma gaveta. Ele passeia o objeto pelas costas e nádegas da menina. Ele chicoteia as nádegas dela pela primeira vez. 


RAFAEL - Você não anda sendo uma boa menina, ultimamente. 


Ele a chicoteia mais uma vez. Algumas lágrimas escorrem de seus olhos e ela se vira para ele. 


KIARA - Chega, Rafael. Eu não quero isso hoje. 

RAFAEL - De costas. 

KIARA - Hoje não. 

RAFAEL - De costas, Kiara. 

KIARA - Eu já falei que não. 


Rafael a puxa pelo braço e a vira de costas a força. Assustada, ela acerta um chute nas partes do homem para se defender. Rafael cai da cama. 


KIARA - Que porra é essa, caralho? Eu falei não. Estou cansada desses seus joguinhos. Você não manda em mim, que inferno! 


Ela se levanta e veste sua calcinha. 


RAFAEL - Você não pode fazer isso comigo, Kiara. 

KIARA - Vai para o inferno. 


Kiara se retira do local muito brava. Rafael observa do chão. 


CENA 10: INTERNA. CASA DE EVELLY. NOITE 


Evelly está em seu quarto. Ela passeia de um lado para o outro, nervosa no telefone. 


EVELLY - É impressionante como o Alan nunca atende esse celular. 


Ela começa a gravar um áudio. 


EVELLY - Tudo bem, príncipe? Eu estou com saudades. Bem que você poderia vir dormir aqui em casa hoje... Estou te esperando. 


Ela termina o áudio e joga o celular sobre a cama, nervosa. 


CENA 11: INTERNA. MANSÃO OLIVEIRA. NOITE 


Os cinco presentes no local estão jantando e conversando. Jade ainda parece bem desconfortável. 


DANIELA - Mas e as meninas, Alan? Aposto que um menino como você deve ser bastante assediado pelas garotas. 

ALAN - Eu não posso negar. Mas eu procuro alguém que queira algo sério. E que contribua para os meus objetivos. 

JADE - Mas e a Evelly? 

ALAN - Eu não tenho nada com a Evelly. Ela que é doida por mim. Mas ela não faz o meu tipo. 

DANIELA - É o que eu sempre falo para a Jade. A mulher tem que ser companheira do homem. Parece que as meninas de hoje em dia estão cada dia mais rebeldes e menos dedicadas. 

VICENTE - Mas a Jade parece ser uma menina direita. Uma menina a altura do meu filho. 

MARTINA - Na minha época era tradição as meninas de família se casarem virgens. Hoje isso é raro. Você Jade, é virgem? 


Jade quase que engasga com a pergunta. 


VICENTE - Querida, isso não é pergunta que se faça. Por favor. 

MARTINA - É só uma dúvida, sem julgamentos. 

JADE - Não tem problema nenhum. Eu tiro a sua dúvida. Eu não sou virgem em nenhuma perspectiva, por nenhum ângulo. Eu já me deitei com essa cidade inteira. Vamos acabar com essa palhaçada? 


Jade se levanta da sua cadeira. Daniela a puxa pelo braço, mas ela empurra a mãe. 


JADE - Eu não sei quem inventou isso aqui, mas eu vou deixar bem claro. Eu nunca vou ter nada com o Alan. Esse moleque é um filho da puta. Mas pelo visto ele tem a quem puxar. E você Vicente, é só um ex-político corrupto cheio de processos nas costas. 

DANIELA - Jade, para com isso.

JADE - Parar com o quê? A senhora é muito burra. Quer me empurrar para essa família porque eles tem dinheiro. Mas dinheiro que vem fácil, vai fácil mamãe. A qualquer hora a federal pode bater na casa desse safado e confiscar todos os bens dele. É isso que você quer para mim? 

DANIELA - Perdoem a minha filha, ela não sabe o que está falando. 

MARTINA - A sua filha é uma descontrolada. Vamos embora, meu querido. 

JADE - Descontrolada é você. Dondoca de merda. 

MARTINA - O que você disse? 

JADE - Dondoquinha de merda. Fútil do caralho. Qual sua função mesmo? Sair por aí ferindo direitos humanos? 

MARTINA - Como pode ser assim tão baixa? Eu não tenho culpa se você é uma vadia, menina. 


Jade joga o vinho que estava no copo sobre Martina, deixando a madame encharcada.


JADE - Eu não sou uma vadia. Eu sou a vadia. Vadia que o seu filho é louco para comer. 

MARTINA - Duvido muito que o meu filho queira um lixo como você. Ele tem moral. 

JADE - Moral? Eu acho que nós estamos falando de pessoas diferentes. 

ALAN - Chega, Jade. Vamos embora, mãe. 

JADE - Isso mesmo! Fora da minha camisa, agora. Fora! 


Jade puxa Martina pelo braço e sai arrastando a mulher para fora do local. Alan e Vicente vão atrás para tentar apartar a briga. 


CENA 11: INTERNA. MANSÃO VENTURA - SALÃO PRINCIPAL. NOITE 


SONOPLASTIA: https://youtu.be/Ynln3D0k9wY


23:40H. A câmera mostra jovens dançando, se divertindo. Alguns bebem, outros se drogam. Podemos ver também beijos de vários casais. Beijos comuns, beijos triplos, quádruplos. Ítalo e Victor estão sentados no chão em um canto, bebendo. 


VICTOR - Eu nunca tinha te visto tão feliz. 

ÍTALO - Como? 


Ítalo não entende as palavras de Victor, pelo som alto. Victor se aproxima do ouvido do rapaz. 


VICTOR - Eu nunca tinha visto você tão feliz. 

ÍTALO - Fazia tempo mesmo que eu não ficava assim. 

VICTOR - Você combina muito mais assim. Eu gosto de te ver bem. Não volta mais para onde você estava, por favor. 

ÍTALO - Contanto que eu tenha você, eu não vou voltar nunca. Você foi uma luz que apareceu na minha vida. 

VICTOR - Para, vai... 

ÍTALO - Eu estou falando sério. Você me mudou, me deixou mais feliz. Ninguém nunca me fez sentir como você me faz. 

VICTOR - Você também mudou minha vida. Eu nem consigo mais me imaginar sem você do meu lado. 


Ítalo olha para a mão de Victor, muito próxima a dele. Ele tenta criar coragem para segurar, mas não consegue. Eles se olham. Os olhos de Victor descem para os lábios de Ítalo. Tão rosados, tão convidativos. 


VICTOR - (narrando) Eu nunca tinha sentido, o que eu senti ali naquele momento. Eu sabia que tinha alguma coisa especial com o Ítalo, mas... Eu nunca tinha ficado com meninos antes do Henrique. Então eu não sabia explicar o que era. Mas naquele momento eu soube. 


Os olhos dos dois se conectam em perfeita sincronia. Como se conseguissem enxergar através um do outro. 


VICTOR - (narrando) Os olhos dele faziam eu me sentir em casa. Como se não existisse mais nada ao redor. Só eu e ele, no mundo inteiro. 


Ítalo fica um pouco envergonhado com o momento. Quando volta a realidade, a música que tocava já estava no refrão. 


ÍTALO - Eu adoro essa música. 


Ítalo se levanta e começa a dançar, desengonçado, o refrão da balada cantada por Alicia Keys. Para Victor, era como se o mundo tivesse em estado de câmera lenta. Os movimentos de Ítalo estavam lentos e atraentes. Victor fitava cada movimento do rapaz, quase que em êxtase. 


VICTOR - (narrando) Não... Eu não podia estar gostando do meu melhor amigo. A minha cabeça começou a desmoronar. "E a Manu? Ela era a única que me interessava. Será que eu parei de gostar dela? Será que eu gosto dos dois?" 


Devido a grande quantidade de bebidas que já havia ingerido e a confusão em sua cabeça, Victor fica um pouco enjoado. 


VICTOR - Eu vou ao banheiro, já volto. 


Ele se levanta e se dirige ao banheiro. 


CENA 12: INTERNA. MANSÃO VENTURA - CORREDOR. NOITE 


A câmera mostra Henrique e Paola conversando em um corredor da mansão. Pelo vidro, Henrique aponta para Victor que estava caminhando até o banheiro. 


PAOLA - Tá... O que tem ele? 

HENRIQUE - O que tem ele? Ele é o Victor. O meu Victor. 

PAOLA - Não, você deve estar confundindo. Esse menino é convidado do Ítalo, nosso amigo. 

HENRIQUE - Paola pelo amor de Deus eu não estou me confundindo. Eu sei muito bem quem é o Victor.

PAOLA - Então quer dizer que o seu Victor é o mesmo... 

HENRIQUE - O mesmo o quê? 


Paola começa a sorrir. 


PAOLA - O Ítalo é apaixonado por esse menino. Eu só não sabia que o nome dele era Victor. 

HENRIQUE - Eles tem alguma coisa? 

PAOLA - Não... O Ítalo não tem coragem de se declarar para ele. Mas olha, se eu fosse você eu esquecia esse menino. 

HENRIQUE - Eu gosto dele, Paola. Gosto para valer. Ele me entende. 

PAOLA - Ele te entende e entende metade do Brasil. Pelo que o Ítalo me falou, ainda tem uma menina na jogada. Já são três pessoas disputando ele. Tem certeza que você quer entrar nisso? 

HENRIQUE - Talvez você tenha razão. Melhor eu esquecer ele. Até porque ele não quer nem olhar na minha cara mais. 


Henrique murcha. Paola o abraça. 


CENA 13: INTERNA. MANSÃO VENTURA - VARANDA. NOITE 


Victor está sentado em uma varanda da mansão. Ele está um pouco cansado. Manu se aproxima dele. 


MANU - O que você está fazendo aqui, Victor? Não te vi a festa toda. 

VICTOR - Estou tomando um ar. Estava um pouco enjoado. 


Manu se senta ao lado dele. 


MANU - Você bebeu demais, não é? 

VICTOR - Para caralho. Eu não tenho costume de fazer isso. 

MANU - Eu percebi. 

VICTOR - Na verdade, agora eu estou com peso na consciência. Lembrei do meu irmão. 

MANU - Você e o seu irmão são pessoas diferentes. Não é porque com ele saiu do controle que com você vai sair também. Você tem o direito de se divertir. 

VICTOR - Eu tenho medo de decepcionar minha família, sabe? Agora eu sou tudo que minha mãe e minha avó tem. 

MANU - Eu também tenho medo de decepcionar minhas tias... Elas me pegaram para criar. Eu não quero nunca que elas se arrependam. 

VICTOR - Sei como é... 


SONOPLASTIA: https://youtu.be/DdSneCL2Uhw


Victor estende a mão para Manu. Eles ficam de mãos dadas e se olham. 


MANU - Eu gosto de você. 

VICTOR - Eu também gosto de você.

MANU - Eu acho que eu demorei muito para perceber isso, mas... Eu gosto de você como eu nunca gostei de mais ninguém. 

VICTOR - Você é especial para mim também. Na verdade eu acho que você é muito para mim. 

MANU - Não... Você merece muito mais. Eu sou toda confusa, perdida. 

VICTOR - Mais confusa que eu, garanto que você não é. Se você quiser, a gente pode tentar. 

MANU - Tem certeza? 

VICTOR - Não... Mas foda-se. Eu nem sei se eu vou estar vivo amanhã ainda. Eu gosto de você e é só isso que importa agora.


Eles vão se aproximando aos poucos. Logo eles tem os lábios selados. Um beijo calmo e carinhoso se inicia. Assim como toda a relação que os dois construíram, o beijo é sem pressa. Sem mãos bobas ou atitudes mais sexuais. 


Ítalo, que procurava por Victor, chega até o local. De longe ele observa o beijo dos dois, muito decepcionado. Sem fazer nenhum barulho para não atrapalhar o momento, ele se afasta. 


CENA 14: INTERNA. MANSÃO VENTURA - QUARTO DE HENRIQUE. NOITE 


Em seu quarto, Henrique se deita na cama apenas de cueca. Na televisão, um filme pornográfico é exibido. Ele se droga e bebe. 


A cena tem uma oscilação rápida de cores, assim como a visão de Henrique que já está alterada devido aos entorpecentes. 


Ele sorri sem motivo aparentemente e cai na cama. Seus olhos se voltam a televisão. 


HENRIQUE - Victor... Você tinha que estar aqui comigo, Victor...


Ele coloca as mãos dentro da cueca e começa a se masturbar, de forma rápida. Suas pupilas completamente dilatadas exaltam os olhos vermelhos. 


CENA 15: INTERNA. MANSÃO VENTURA - SALÃO PRINCIPAL. NOITE 


Ítalo desce as escadas retornando ao salão principal. Ele parece bem atordoado e acaba esbarrando em Flávio. 


FLÁVIO - Merí... Eu falei que a gente ainda se esbarrava. 

ÍTALO - Oi... Vem cá, você fica com meninos? 

FLÁVIO - Como é? 

ÍTALO - Cala a boca e me beija. 


Sem mais nem menos, Ítalo passa as mãos ao redor do pescoço de Flávio. Eles começam a se beijar. Sarah que observava o amigo de longe, cospe a bebida que bebia surpresa ao ver o amigo beijando um rapaz. 


De mãos dadas, Victor e Manu descem as escadas sorrindo. A imagem de Ítalo beijando uma pessoa no centro da pista assusta Victor. Ele observa a cena um pouco enciumado. 


MANU - Aquele é o Ítalo? 

VICTOR - Aparentemente sim. 


Victor murcha com a cena e os olhos ficam marejados. Manu observa. 


[Encerramento]: https://youtu.be/3hi2U8t2ZBs


 

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