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O Céu É De Vidro: Episódio 10. (Último) - Continuação

Como o cerco já se fechava contra mim, um monstro que morava em meu interior necessitava gritar, feito um lobo ao luar, eu queria destilar amor e ódio! Confessei todos os meus crimes, a polícia estava na minha cola a muito tempo enquanto fingiam me levar para ajudar, a mãe do Vitor não era aquela boba analfabeta que me apresentou, logo que o Vitor teve coragem de voltar pra cidade ele me mandou um bilhete através de um garoto de rua em troca de uns trocados. "preciso te encontrar naquele mesmo lugar, assinado Vitor". Marcamos o encontro na cabana, e eu vi a chance de acabar com ele quando ele ameaçou contar tudo pra polícia, o detalhe que ele não me contou era que sua mãe sabia de tudo, mas a polícia precisava da principal testemunha, Vitor estava morto para mim quando eu o ataquei, finalmente achei que pudesse viver meu amor com o Robert, motivo que me fez arquitetar a morte da Suzana. Se aquela burra tivesse me dito que mantinha um suposto amor escondido pelo Vitor e que havia terminado com o Robert, com certeza ela estaria viva, mas ela sendo tão próxima de mim percebeu a escuridão que existia dentro de mim bem escondido, e certamente deve ter visto meus olhos brilhar quando estava perto de seu namorado e foi isso que afastou a sua confiança de me confidenciar seus segredos. Amelinha aquela garota hippie, vivia de olho de rabo comigo na escola, as pedrinhas coloridas dela sempre ficavam negras quando ela chegava perto de mim, com exceção no dia que eu a matei a facadas, perfurei seu abdômen por cinco vezes para ter certeza que estava morta. Queima de arquivo, a otária estava no lugar errado, na hora errada... colhia pedras na floresta perto da cabana quando me viu com o Vitor pouco antes dele fugir de vez pra outra cidade e ficou escutando nossa conversa escondida,nesse dia tocamos os detalhes mais íntimos do meu plano pra ele ser um ''herói'' de Suzana, ela sabia da alergia de Suzana assim como eu sabia, ligou uma coisa com a outra, e hippie deve ter ficado tão desesperada que saiu fazendo barulhos, mas eu a peguei com força, como uma onça faminta atacando sua presa na floresta. Vitor não reagiu, ficou o tempo todo do lado de fora da cabana, a minha presa tentava reagir quando fui mais forte e a puxei até o segundo andar da cabana, lá dei o primeiro golpe de facão com ela ainda de pé, quando voltei ao lugar com o delegado seu sangue ainda jorrava, caindo em minha testa. O delegado foi inteligente, no fundo ele sabia que eu era a assassina, mas precisava juntar as peças para ter certeza, ele me falou sobre minha frieza no carro enquanto me levava até a casa do Vitor, o mesmo dia do funeral da Suzana, eu como quase irmã dela não consegui disfarçar indiferença, eu matei por amor, eu amava o Robert e ela era meu grande obstáculo, eu incentivei Robert criar um caso sobre extra-terrestres para ele me amar também, eu queria ser a garota que faria ele chegar no topo se nada tivesse dado errado. Ele tinha medo de ser preso sendo inocente, no dia que eu entreguei as fotos que ele aparecia no coquetel, fiz parecer que fui seduzida, mas eu entreguei porque o amava, eu não queria ser pega, mas também não queria que ele fosse. O jantar então terminava ali, eu confessei todos os meus crimes e planos, nem Robert, nem Vitor tampouco aquele coitado do pai da Suzana, eu Adelaide era a assassina! As luzes do ginásio se acendem, e policiais surgem para me prender, Augusto queria me enforcar e teve que ser contido pela polícia, já o delegado pôs o clássico instrumental ''Aleluia'' enquanto lascava um beijo em dona Laura, Robert sentado sem reação, e eu algemada saindo com grande estilo por um caminho cheio de velas acesas ao chão  ao clássico da música do delegado, com olhos indiferentes. Narração de Adelaide nos dias atuais (Aracy Balabanian): Fui levada para São Paulo, e condenada a 45 anos de prisão, minha família estava envergonhada, e vivia recebendo pichações no muro de casa ''ASSASSINA MALDITA'' ''ASSASSINA DE AMIGA''... Tiveram que mudar de Lua Branca, foram para o litoral, o caso dos assassinatos ficou conhecido como "Lobos ao Luar", os tais "lobos" de Lua Branca eram os demais suspeitos, pois com exceção do delegado Raul ninguém mais desconfiava de mim,  já  na penitenciária tive notícias de algumas pessoas. Vitor teve que se entender com a polícia também, por ter mantido em silêncio  por um bom tempo a morte da garota hippie em que presenciou sem fazer nada, ficou alguns anos preso, dizem que ele surtou na cadeia, passou a ver Suzana e Amelinha todas as noites o assombrando, suicidou-se dentro da sela, se enforcando com lençóis, sempre soube que ele tinha esquizofrenia. Robert também soube que havia se mudado de Lua Branca, foi estudar nos Estados Unidos, dizem que foi inclusive conhecer a NASA, em 1969 ficamos no refeitório da penitenciária para assistir na tv o homem pisando na lua, lembrei de Suzana, uma vez ela me disse que queria estar viva pra ver esse sonho acontecer. Por fim soube que a mãe de Suzana morreu cinco anos depois que fui presa, já seu pai o senhor Augusto viveu muito, dizem que ele visitava o túmulo de sua filha todos os dias, ele se sentia culpado por ter dito que a preferia ver morta do que levando uma vida de sonhadora que tinha um adorável namorado na época. Quanto a mim, vivi uma era memorável dos anos 60 até virar uma loba caçadora procurada e achada pela polícia, na cadeia tínhamos um rádio velho, quando tocava 'My Girl' dos The Temptations 

TRILHA SONORA: ( https://youtu.be/BA9uKguf4vQ) eu atravessava as paredes e parava nos braços de meu amado, nos dias de hoje, recebi a herança de meus pais e pude reconstruir minha vida sozinha, sem filhos, sem marido, sem minha irmã que mora na Inglaterra com sua bela família, escrevo minha biografia ao lado de minha gata, eu pus o nome nela de Suzana para homenagear a única amiga que tive de verdade, Nicole me pergunta se eu me arrependo de tudo que fiz no passado.

Bom, se eu me arrependo? 

FIM.

[Dedicado a uma grande amiga que me incentivou a escrever há 6 anos atrás, o que me fez chegar até aqui].

( Os créditos finais sobem ao som de "My Girl" - The Temptations" ).

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